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Equador: La muerte silba un blues #LegendiMundi

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O livro do Equador para o Legendi Mundi foi um desafio pessoal. Li meu primeiro livro virtual! Com as dificuldades de encontrar um livro para o país, Rafa me convenceu a abrir mão do meu apego pelos livros físicos e dar uma olhada no que estava disponível no mundo dos e-books. E foi assim que achei La Muerte Silba un Blues disponível na Amazon. Não tive dúvidas: comprei na hora, e esse milagre das compras digitais imediatamente colocou o livro na minha mão! Ah, esse mundo moderno maravilhoso!

Mas La Muerte Silba un Blues não foi um livro fácil. Talvez porque eu não me adaptei de cara com não poder cheirar, passar as páginas, fechar o livro com um marcador de páginas quando o sono chega (esses pequenos prazeres da vida de uma leitora a moda antiga…). Ou talvez porque um livro de contos de ficção não seja meu estilo favorito e não me encantou de cara. Sofri para pegar o ritmo de leitura. Foi o primeiro livro do Legendi Mundi que não me surpreendeu e encantou, e isso foi um pouco frustrante. Mas fui até o final e estou aqui pra contar pra vocês como foi essa viagem até o Equador!

Ficha técnica:

País: Equador | Livro: La Muerte Silba un Blues | Autora: Gabriela Alemán (filha de diplomatas equatorianos, nasceu no Rio de Janeiro mas foi morar em Quito ainda jovem) | Idioma: Espanhol | Publicação original: Literatura Randon House, 2014 | Tipo de literatura: Contos, ficção, terror, policial | Onde se passa a história: Quito e outras localidades do Equador, e até os Estados Unidos.

Saiba mais sobre o projeto Legendi Mundi, nossa volta ao mundo na literatura escrita por mulheres.

Um livro para o Equador: La muerte silba un blues

La muerte silba un blues (A morte assobia um blues) é um livro, mas podia ser vários. Li isso em alguma das críticas da obra e não podia concordar mais. O livro nasceu como uma homenagem ao cinema, inspirado na obra do diretor espanhol Jess Franco. São dez histórias no livro e cada uma é chamada pelo nome de um dos filmes de Franco. E Gabriela tomou o cuidado de se inspirar mesmo no diretor: colocou muito de Franco nas histórias: violência, personagens com características psicológicas marcantes, cenários tão essenciais quanto os personagens.

Possivelmente, o maior vínculo entre as histórias é o sentimento de perda. Homens, mulheres, crianças, Todo mundo perde alguma coisa, ou está numa busca interior profunda nos contos de Alemán. Os cenários vão desde a floresta equatoriana até a Quito em meados do século XX, e as histórias são sempre cotidianas.

Os personagens vivem uma vida comum, que bem podia ser vivida por mim ou por você. Gabriela transforma esse cotidiano para construir um universo fantástico e ficcional. Uma personagem que busca a liberdade entre a sanidade e a loucura, perdida em meio a uma jornada solitária na floresta. Um senhor que decidiu ficar numa cidade evacuada por um furacão (por não querer viver uma vida longe de tudo que conhecia, ou porque queria mesmo morrer?), uma invasão extraterrestre que culmina em um incêndio numa rádio de Quito.

Essa última temática foi uma que particularmente gostei. Lendo o primeiro conto, ‘El extraño viaje’, fiquei curiosa sobre a temática, um incêndio em uma rádio de Quito. Fui pesquisar e descobri que a motivação do conto era muito mais do que real: no dia 21 de fevereiro de 1949, uma transmissão de rádio em Quito foi responsável por causar tanto pânico na população, que o povo invadiu a rádio e ateou fogo no prédio quando descobriu que tudo não passava de ficção. Com essa tragédia, 15 funcionários morreram. Um outro conto no livro, ‘El Diabólico Dr. Z, a história volta, sob outra perspectiva – e os contos vão conversando, se completando.

O Equador de Gabriela Alemán

A viagem pelo Equador foi bem ampla, mas genérica. Não nos aprofundamos em nenhum cenário – mas passamos por vários pedaços do Equador. O Equador do dia-a-dia de um trabalhador em Quito, o Equador de uma mulher na floresta  amazônica, o Equador de uma estrangeira no país durante os anos 1940. Como diz a própria Gabriela, ‘“Eso es Ecuador, un poderoso anacronismo”.

As histórias simples que ganham um quê de inacreditáveis com o tom da autora. Histórias de dor que tem um pano de fundo na superação. Ficções que parecem a vida real. A vida real que incomoda, que nos coloca no lugar dos personagens.

La Muerte Silba un Blues está disponível na Amazon. Talvez, se a obra não tivesse sido meu primeiro livro virtual, eu tivesse me envolvido mais com os contos de Gabriela Alemán. Quando olho pra trás, vejo qualidades em cada uma das histórias. Mas a obra, o conjunto, não mexeu com meu coração. Talvez, daqui a um tempo, eu volte e releia a obra. Um grande motivo para isso é que La muerte silba un blues foi muito bem aceita pela crítica, logo que foi lançado.

O livro ganhou o prêmio Joaquín Gallegos Lara como melhor livro de contos de 2014, além de ser finalista do Prêmio Hispanoamericano de Contos Gabriel García Marques. Até a própria Gabriela Alemán merece destaque: a autora já foi eleita para o Bogotá 39, uma lista seleta de autores latinoamericanos com menos de 39 anos, com produção literária relevante no cenário internacional. Gabriela já publicou 9 livros de contos, 3 novelas, uma peça de teatro e um ensaio.

* Esse post contém link de afiliados. Para mais esclarecimentos, você pode ler a Política de Monetização do Fui Ser Viajante.

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