Sobre os ossos dos mortos – Polônia [Legendi Mundi]

Sobre os ossos dos mortos, da escritora polonesa Olga Tokarczuk, pulou a fila nos livros que estavam empilhados na minha lista de leitura, porque foi o livro escolhido para o mês de março no encontro do Leia Mulheres RJ.

Fiquei curiosa porque 1) eu nunca tinha lido nada da Polônia e 2) a autora ganhou o Prêmio Nobel de Literatura de 2018 (que só foi anunciado em 2019, já que em 2018 cancelaram o evento por denúncias de abuso sexual contra o marido de uma das integrantes do comitê).

Sobre os ossos dos mortos foi lançado depois da premiação. O livro é classificado como um romance de ficção de suspense e mistério – o que definitivamente não é meu tipo de leitura favorito (medrosa, sou).

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Infelizmente, não me empolguei com a história. Embora a narrativa tenha vários elementos interessantes de forma individual, como as explorações astrológicas da narradora e o discurso em defesa dos animais, achei o conjunto da obra enfadonho e pouco envolvente.

Demorei muito mais tempo pra terminar o livro do que levaria normalmente.

Confesso que, no último quarto da história, o desfecho do(s) crime(s) já era previsível, mas curiosamente a explicação do mistério foi a parte da história que mais gostei, pois achei que tinha muita coerência com o enredo.

Enfim, não me apaixonei pela autora, dificilmente me imagino comprando outro livro dela para ler.

Mas “nunca diga nunca”, eu não sou daqueles que acreditam que o Nobel sempre erra. Espero que um dia você ainda me surpreenda, Olga Tokarczuk.

Um livro para Polônia: Sobre os ossos dos mortos

A história é narrada pela senhora Janina Dusheiko (que odeia ser chamada de Janina, por sinal).

Com muitos problemas de saúde, essa professora de inglês aposentada mudou-se para a região.

Passou a fazer renda ensinando inglês para crianças numa escola local, além de receber um dinheiro dos vizinhos por “ficar de olho” nas casas deles, já que a maioria só visitava a região nos meses quentes do ano.

Essa região da Polônia faz fronteira com a República Tcheca, e por lá faz muito frio entre outubro e abril, e nossa narradora passa por maus bocados para manter as atividades e a casa funcionando.

No resto do ano, quando volta o sol e verde, os campos da região são abertos para a temporada de caça, o que leva a sra. Dusheiko à loucura, que passa os dias desarmando armadilhas e tentando proteger os animais da mira das armas dos seus vizinhos.

O principal motivador da história é a defesa dos animais, e em um segundo momento os crimes sem explicação que começam a acontecer na região.

Ao longo do texto, a narrativa vai sendo pincelada com outros temas, como os estudos astrológicos e possíveis sinais de loucura da Sra. Dusheiko, além das curiosas relações de amizade cultivadas pela narradora.

“As melhores conversas são as que temos com nós mesmos. Ao menos não há riscos de desentendimentos”.

“A prisão não está lá fora, mas dentro de cada um de nós. Talvez não consigamos viver sem ela”.

Tem também uma crítica sutil ao trabalho da polícia (que ignora as várias cartas excêntricas da sra. Dusheiko, por considerá-la uma velha louca que nem merece uma resposta).

O livro fala ainda de vingança, que talvez seja o componente mais importante de todo o texto.

Ou seja, tem um pouco de tudo. Tenho que admitir que, para adicionar tantos elementos, a narrativa teve que ser bem trabalhada. No entanto, achei que o suspense passa longe da história, e o enredo em si não chega a envolver.

A forma como os crimes são apresentados não impressionam nem geram ansiedade em quem lê. E, por último, o leitor já aponta o culpado antes da autora chegar ao momento das explicações.

Gostei? Não. Infelizmente é a primeira resenha que faço para o Legendi Mundi em que definitivamente não me empolguei com o livro. Uma pena.

Quem sabe se encontro outra autora polonesa pelo caminho? Se conhecer alguma, me indica nos comentários?

Sobre a autora: Olga Tokarczuk

Olga Tokarczuk nasceu em 1962, e hoje é o nome mais premiado da literatura polonesa, tanto dentro do país quando no exterior.

O maior prêmio com certeza é o Nobel de Literatura em 2018 – o que é uma conquista para ser aplaudida de pé, ainda mais se você é mulher (já viu a quantidade mínima de mulheres que já receberam esse prêmio?).

Olga já teve livros traduzidos para mais de 25 idiomas.

Ficha técnica:
País: Polônia | Livro: Sobre os ossos dos mortos | Autora: Olga Tokarczuk (Polônia, de Sulechow) | Tipo de literatura: Literatura de ficção, thriller | Quando li: Março de 2020.

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Klécia
Pernambucana radicada no Rio de Janeiro, mas que escolheu chamar o mundo inteiro de lar. Apaixonada pelas estradas e pelos destinos, acredita no poder dos encontros e descobertas de quem está sempre a caminho. O maior sonho? Colocar a mochila nas costas e dar a volta ao mundo ♥
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