Um passeio cheio de mistérios e beleza pela Praça de São Pedro, no Vaticano

Depois de visitar os Museus do Vaticano (confira tudo no post Museus do Vaticano: um dos mais incríveis acervos do mundo!), era hora de dar uma volta na Praça de São Pedro.

Quando chegamos na Praça, o sol estava de rachar e a fila para entrar na Basílica era quilométrica.

Numa condição normal, eu teria desistido e voltaria outro dia. Mas nossos dias em Roma estavam contados, e a gente só tinha aquele dia para cumprir toda a programação no Vaticano!!!

Como eu queria muito visitar o interior da Igreja e subir na Cúpula da Basílica de São Pedro (de onde se tem uma vista incrível do Vaticano e de Roma), decidimos embarcar na fila para não perder a nossa chance.

Enquanto a fila se arrastava, dando voltas na Praça como um caracol, pude dar uma boa olhada na Praça de São Pedro.

Eu já tinha visto aquela praça tantas vezes, nos jornais, missas, grandes momentos da Igreja, quando todos os olhos do mundo se viram para Roma. Mas estar ali, ao vivo, tinha um gostinho diferente.

Havia multidão, muito calor e muito barulho, mas como não estar em paz ao olhar ao redor e ver tanta beleza?

Eu não sei vocês, mas adoro a sensação de enfim deixar que meus olhos vejam coisas que antes eu só imaginava, pelos livros, pela TV, ou pelas histórias.

Foi assim que me senti na Praça de São Pedro: tornando real uma coisa que pra mim, antes parecia pertencer a um universo muito distante!

Praça de São Pedro, Vaticano

Belezas e mistérios: O que eu vi na Praça de São Pedro

Fui observando os inúmeros detalhes da Praça de São Pedro enquanto a fila se arrastava.

Imaginei quando Alexandre VII contratou Bernini, no século XVII, para uma empreitada que se tornaria uma dos maiores trabalhos do artista: a reforma da Praça de São Pedro. A obra na qual se revelou a arte da perfeição de Bernini, como disseram uma vez.

Bernini pegou um espaço enorme, retangular, sem nenhum adorno e com piso de terra e o remodelou completamente.

Do original, permaneceram apenas o Obelisco e uma fonte. Bernini foi detalhista, e não poupou esforços para fazer da praça um verdadeiro monumento. Alexandre VII queria uma obra para ser lembrada pelos séculos que ainda iam nascer.

Queria causar impacto em todos que chegassem ao Vaticano. Os peregrinos deveriam observar o balcão papal desde que entrassem na Praça, uma visão direta para o Pontífice enquanto ele distribuía sua bênção “urbi et orbi” (à cidade e ao mundo).

Os números impressionam: são 320 metros de comprimento e 240 metros de largura, um espaço que abriga mais de 300.000 pessoas.

Quantas histórias foram contadas, quantos choros, quantos pedidos e quantos agradecimentos essa Praça já viu ao longo dos séculos!

Praça de São Pedro

Alguns segredos da Praça de São Pedro

São 284 colunas e 88 pilastras que circulam a praça em um pórtico de quatro filas, largos e impressionantes.

As enormes colunas da Praça de São Pedro foram construídas de forma a dividir a Praça em duas: A Piazza Retta (ou Praça Reta) fica mais próxima à Basílica e tem a forma trapezoidal, e suas colunas seguem o estilo clássico das colunas dóricas.

Já as colunas da Piazza Obliqua (ou Praça Oblíqua), num estilo barroco, se abrem num grande círculo, simbolizando a Igreja-Mãe que abraça seus filhos peregrinos.

Praça São Pedro no Vaticano

Não consegui resistir a imaginar que há uma simbologia por trás disso, como tudo em Roma.

O estilo clássico, mais puro, colocado perto da entrada da Igreja, do céu… O estilo barroco, mais imperfeito, colocado onde o povo era recebido, onde acontece o mundo real. Será que já estou envolvida pelas mensagens subliminares de Roma e imaginando coisas?

Fiquei imaginando também quem seriam cada uma das 140 estátuas feitas pelos discípulos de Bernini. Santos, mártires e papas que nos recebem de cima das colunas, nos observando a mais de 17 metros de altura.

Vigiando a Praça de São Pedro, vigiando o Vaticano, vigiando a Igreja, eu diria. Por todo lado, o brasão e as inscrições do Papa Alexandre VII estão por todo lugar.

Quase como uma assinatura de quem é o responsável por tudo que hoje a gente vê. Associei, respeitadas às proporções, aos nossos prefeitos colocando placas gigantes de inauguração a cada obra de sua gestão.

As pessoas, aparentemente gostam de marcar seu nome na história, para quem chegar depois perguntar: Quem foi Alexandre VII? Foi o Papa que reformou toda essa Praça.

Praça São Pedro no Vaticano
Praça São Pedro no Vaticano

O Obelisco da Praça de São Pedro (e mais mistérios)

Fiquei um bom bocado imaginando o trabalhão que deu para trazer diretamente do Egito aquele enorme obelisco, que data do século I d.C. e hoje repousa no centro da Praça, montado sobre quatro leões de bronze.

Falam as lendas romanas que foi preciso juntar o trabalho de 900 homens para colocar o Obelisco em pé. Quantos outros carregaram e navegaram com ele do Egito até a Praça de São Pedro?

Vocês já prestaram atenção na quantidade de obeliscos que foram trazidos do Egito para Roma? Que trabalhão monumental devia dar, que logística de transporte incrível para aquela época!

Leia também: Pelas ruas de Roma: praças, fontes e obeliscos que vão te encantar

O obelisco seria uma representação da união do passado com a cristandade.

Reza a lenda que as cinzas de Júlio César descansam em sua base, e o Papa Sixto V colocou, escondido no topo, um pedaço da cruz do próprio Cristo. Não vou mentir pra vocês: Que vontade de espiar lá dentro!

Praça São Pedro
Praça São Pedro

Nosso passeio pela Praça de São Pedro

Nosso passeio pela Praça durou o tempo de espera na fila, cerca de 1h e meia. Sorte que tínhamos água e lanches. Mas se você não tem, vendedores ambulantes não faltam por lá também.

Nem peregrinos animados. Ouvimos um barulho uma hora, do outro lado da Praça. Eram várias bandeiras brasileiras e argentinas que se agitavam, jovens que se divertiam e entoavam hinos. Latinos e sua euforia, não importa o lugar do mundo 🙂

Quando saímos da visita à Basílica, ganhamos o presente de um por-do-sol na Praça de São Pedro.

O sol se pondo atrás da cúpula da mais importante igreja católica do mundo, nossas sombras no chão, os peregrinos quase em procissão, saindo da Praça para tomar seus rumos. Mais um momento mágico dessa viagem que não vou esquecer, mais um momento de paz.

Os séculos passam, e a Praça de São Pedro continua magnética, atraindo peregrinos, de todos os lugares. Não importa sua fé. A Praça e seus mistérios formam um dos mais lindos cartões-postais do mundo e merecem a sua visita!

Praça de São Pedro
Praça de São Pedro
Lila Cassemiro
Pernambucana, contadora de histórias e bem curiosa. Geminiana apaixonada por artes e culturas, sempre com a mala pronta pra viajar de novo. Eu gosto de gente.
Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Comentários:
CRISTIANE disse:

Caramba, então dei muita sorte, porque fui hoje é simplesmente não tinha fila nenhuma! Em compensação, dentro do museu tinha muuuuuita gente!

Klécia disse:

Poxa, desejo sua sorte pra todo mundo! A gente pegou fila demais ;(

Juliana Moreti disse:

Jura que você pegou toda essa fila? A primeira vez que estive em Roma (abril), a fila contornava a praça e eu não entrei! Mas nas outras duas (junho e julho) a fila não estava monumental e entramos!
Porém, graças a fila, você pode refletir muito sobre o local (algo que eu não fiz) e no meio de tantos mistérios, você deixou escapar um (que eu também deixei), mas que você suspeitou…
Bernini (como não amar), desenhou o Colunato fingindo ser o braço da igreja abraçando os fieis, mas o mais incrìvel: hà um ponto na praça (procure no Google: “centro del colonnato del bernini”) no qual deixamos de ver 4 fileiras de colunas para ver apenas uma!
Como vivo dizendo: preciso urgentemente voltar!!!!!

Klécia disse:

Peguei sim, Ju! hahaha quando me determino a uma coisa, tenho que cumprir. E naquele dia estava mais que determinada a entrar na Basílica, e voltaria muito frustrada se não tivesse cumprido.
Eu realmente passeei muito pela praça, e pude admirar muitos dos detalhes. O ‘abraço’ da praça nos fieis eu sabia, mas realmente não procurei o ‘centro del colonato’. Imagino como mais uma analogia a unidade da igreja com seus fiéis, provavelmente… Mais um motivo – dos milhares – para voltar urgentemente! 🙂

Gardenya disse:

Apenas meu sonho conhecer esse lugar, eu não sou católica nem nada, mas tem uma coisa que encanta nesse lugar, sempre que vejo fotos ou filmes gravados aí eu suspiro. Um dia quem sabe né rsrs
Bjim
http://www.depoisquevocesefoi.com.br

Klécia disse:

Dá mesmo pra suspirar. E não só com a Praça, Roma inteira me deu esse mesmo sentimento! Tomara que você desembarque por lá em breve, Gardenya 🙂

Que sonho essa viagem, estou encantada com as fotos. Com certeza é um roteiro que quando tiver oportunidade irei visitar! Gostei muito do blog de vocês, muitas dicas de viagem legais e os lugares que vocês já foram muito bom mesmo!

Klécia disse:

Obrigada, Carol! 🙂 Viajar é sempre muito bom, é provavelmente a coisa que a gente mais adora fazer, exatamente por esse sentimento bom que dá de descobrir o mundo e ir revivendo tudo aqui nos posts! Obrigada pela visita, Carol!

Que post maravilhoso, cheio de informações, não sabia muita coisa sobre a praça, adorei conhecer através das suas informações. E ainda bem que a fila gerou todas essas reflexões incríveis. Pin favoritado já!!!

Klécia disse:

Que bom que gostou mesmo, Fábio! 🙂 Ainda bem que a fila rendeu algo bom, né? Obrigada pela partilha!

rozembergue disse:

fFiz também! Impossível ir a Roma e não conhecer o Vaticano. A praça é linda mesmo. Pena que tanto sofrimento mundo afora foi ordenado de lá.

Klécia disse:

Tudo em Roma parece ter um lado bom e um lado mais sombrio, né? Aprendi muito sobre contrastes na cidade!

A praça de São Pedro é mesmo linda e emocionante! Você pegou um dia lindo de sol (apesar de quente) por lá. Quando fui, estava chovendo a praça estava cheia de cadeiras, ou seja, não teve o mesmo encanto. Mas a vista lá de cima vale a pena, ainda bem que você foi até lá! Relato emocionante o seu… Dá para sentir um pouco do seu sentimento ao estar naquele lugar. Lindas fotos também! Beijo grande.

Klécia disse:

Foi emocionante mesmo, Pollyanne! A Praça, especialmente na hora do por do sol, tinha um quê de místico, de paz! Uma sensação muito boa estar ali! Até deu pra esquecer o calor do dia todo e aproveitar o momento único! Beijinhos!

Como eu te entendo! É inexplicável o que sentimos quando estamos diante de um clássico, um cartão postal desses que vimos e namoramos durante nossa vida. Por vezes parece inacreditável né?! Ainda mais quando o lugar é cheio de simbologias como a Praça de São Pedro.

Ah! Qual a graça se não imaginarmos, viajarmos, nos misturarmos ao conhecimento adquirido e passarmos tudo isso por nossa própria interpretação?! Passar simplesmente pelos lugares não tem a menor graça!

Foi gostoso me misturar à sua mistura nesta icônica praça!

A foto do Obelisco vista de cima está espetacular com algumas das esculturas de costas. Eu também gostaria de dar uma espiadinha para ver se as cinzas de Julio Cesar estão de fato ali! 🙂 beijocas

Klécia disse:

É bem isso, Ana! A gente vai juntando o que sabe e o que imagina e dá essa mistura boa, que é nosso jeito de viajar o mundo. E sim, que bacana seria poder espiar dentro do Obelisco 🙂

Laís disse:

Adorei Klécia! Eu fico assim também quando finalmente conheço algum destino, monumento ou lugar que antes eu só conhecia por fotos ou vídeos, fico toda boba mesmo e acho que essa é uma das magias de viajar!

Klécia disse:

Muito bacana esse sentimento, né Lais? Também acho mágico 😀