Trânsito e deslocamentos em Lima: um pequeno guia de sobrevivência

Nós estávamos saindo do aeroporto Jorge Chávez, empolgados com o começo das férias. Queríamos economizar e pegar o ônibus para o centro (a passagem aeroporto-Miraflores custa 8 dólares), mas ainda eram 5 da manhã, e o primeiro ônibus só saia às 6:30. Depois de uma noite de vôo, a última coisa que a gente queria era esperar.

Já do lado de fora, decidimos pegar um táxi. Foi aí que tudo começou. Na porta do aeroporto, combinamos com o serviço de táxi para ir até Miraflores por 55 soles (25 soles a menos que a pedida inicial) – os táxis em Lima não tem taxímetro, você sempre negocia o preço, a cada corrida.

Fomos apresentados ao motorista, que pegou minha mala e começou a nos levar para o carro. Um senhor falante, que ia perguntando amenidades, como de onde éramos e quanto tempo íamos passar em Lima. Depois de uns minutos, comecei a estranhar que o carro não chegava. A gente estava cada vez mais longe do aeroporto, já no meio do estacionamento. Até que ele abriu a porta de um carro comum, sem qualquer identificação. Já comecei a imaginar como minha família ia reagir ao saber que fomos sequestrados em Lima, no primeiro dia da viagem. Rafael, muito mais rápido, vasculhou o carro com os olhos e viu a permissão de direção do taxista presa em um cantinho do vidro. Ok, ao menos era de fato um táxi.

-> Veja mais sobre o aeroporto de Lima com o blog Cantinho de Ná!

Mas os problemas estavam apenas começando…

Logo na saída do aeroporto, percebi que o trânsito até o centro seria pesado. Muitos carros, a maioria de modelos bem antigos. Poluição, tumulto e muito, muito barulho. O taxista seguia falando, agora já sobre futebol.

Estávamos na pista central quando, de repente, o trânsito parou um pouco. Ele resolveu que ia passar para a pista lateral e vrááá, virou com tudo. Sem seta, sem aviso, sem nada. E não era só ele, todo mundo estava fazendo o mesmo: resolvendo as conversões e preferências na base da buzina e de quem chega primeiro.

A certa altura, nosso motorista resolveu que queria voltar para a pista principal. Olhei pra frente e cutuquei Rafael. Uma coluna de concreto, fazendo uma agulha entre as pistas, estava cada vez mais perto. Os carros em velocidade surreal na faixa central não davam muita chance para nosso carro entrar. Na confusão, os carros da faixa lateral começaram a apertar, querendo passar também. A mureta cada vez mais perto, e a gente sendo espremido por um ônibus de cada lado, e um fusquinha branco que até hoje não sei de onde surgiu. Só tive tempo de fechar os olhos com as mãos, encolher o corpo e soltar: Ih, bateu…

Achei que a viagem ia acabar ali mesmo…

O motorista começou a rir, muito. Quando abri os olhos, já estávamos na pista central, e ele continuava a dirigir no melhor estilo peruano: corta, buzina, costura – como se nada tivesse acontecido. Com um risinho no canto da boca, olhou pra mim pelo espelho e falou: “Hoje o trânsito está bom, moça. Segunda-feira é bem pior que sexta. Tem problema se eu acender um cigarro?”

Seguimos no carro por mais uns 30 minutos. Nosso taxista animadamente nos apresentava os pontos turísticos da cidade, e eu não tirava os olhos da estrada, adrenalina a mil. Quando chegamos no hostel, pulei fora do carro como se estivesse saindo da Máquina Mortífera. Rafael pagou 60 soles ao motorista, cinco a mais que o combinado: um bônus de felicidade por chegarmos vivos no final da Corrida Maluca rs.

Trânsito e deslocamentos em Lima, Peru

Trânsito e deslocamentos em Lima: o que você precisa saber

O trânsito de Lima é muito, muito desorganizado. Eu, que pensei não haver nada pior que os motoristas de táxi kamikazes do Rio de Janeiro, fui apresentada a um novo nível de evolução para loucura no trânsito. Por todo lado, são buzinas de táxis, vans de transporte coletivo, carros particulares. A maioria dos carros são antigos e com a lataria amassada aqui e ali, acho que fica bem óbvio o porquê.

A regra geral é que não há regra: os motoristas não usam seta, não dão preferência, não respeitam as placas de trânsito, e por vezes, nem o semáforo. Nas esquinas principais, sempre tem guardas de trânsito para tentar ordenar as coisas, ou todo cruzamento seria (mais um) apocalipse.

Como se locomover em Lima

Lima é uma cidade bem grande, e os principais atrativos ficam distantes uns dos outros. Dentro de cada bairro dá pra fazer tudo a pé, mas pra ir de um bairro a outro, você vai precisar escolher um desses meios de transporte:

1) Transporte público (ônibus / vans / lotação)

O ônibus é muito barato. Varia de 1 a 1,70 soles (preços de 2017) – depende da linha, ou corredor, como é chamado por lá. Você pode conferir todos os corredores e preços atualizados nesse link. Embora eu sempre prefira usar transporte público, não fizemos isso em Lima. Achei os ônibus muito velhos, e como eu já estava assustada com o trânsito, decidimos não arriscar.

As vans e as lotações também são uma opção bem popular – e barata. Paga-se de acordo com o trecho utilizado. Na Avenida Arequipa, uma das maiores e mais movimentadas de Lima, vimos carros ‘sem identificação’, que iam e vinham, parando a cada esquina para embarque e desembarque de passageiros. Sempre tinha muita gente utilizando, mas também não arrisquei – até porque vez ou outra passamos numa blitz policial que parava todo mundo.

2) Táxis

Lima tem muitos táxis – credenciados, ilegais, carros velhos, carros novos… Mas nenhum deles tem taxímetro. A cada viagem, você precisa acertar o valor da corrida com o motorista. Aplicativos como Easy Táxi e Taxi Beat funcionam em Lima, e são uma boa opção porque já te dão uma estimativa do valor da corrida.

Algumas dicas: procure táxis que tenham na placa uma faixa amarela escrito Peru, e o número da placa pintado na porta – tecnicamente esses são os táxis regularizados. E, obviamente, dê preferência aos carros novos. No aeroporto, contrate o táxi logo na saída do desembarque, ainda dentro do saguão. A empresa regularizada Green Táxi tinha os melhores preços. – Se eu tivesse acertado o táxi ali, e não do lado de fora, talvez tivesse chegado em Lima com menos confusão.

Trânsito e deslocamentos em Lima, Peru

3) Uber 

Depois que comecei a usar o Uber em Lima, não quis saber de outra coisa. Os carros são consideravelmente mais novos, e de forma geral achei os motoristas menos loucos – talvez mais assustados em arruinar os seus veículos recém adquiridos em uma batida. Várias vezes pedimos um Uber e o carro que nos atendia era um táxi, mas sempre um carro novo. A gente sabia previamente mais ou menos quanto seria a corrida e nunca precisava negociar com o motorista – Ufa!

Dica: não esqueça de selecionar a opção ‘Pagamento em dinheiro’, para economizar as taxas do pagamento em cartão.

4) Trem elétrico

O trem elétrico de Lima é chamado de Metro Linea 1. É uma linha única atende o centro da cidade e passa por vários outros bairros de Lima. A relação completa de estações, horários e tarifas está nesse site.

5) Aluguel de carro

Por favor, não faça isso! A não ser que você tenha experiência em dirigir em condições de extrema adrenalina. Eu realmente não recomendo dirigir em Lima, por motivos de ‘dores de cabeça constantes no trânsito’. Mas se, de toda forma, você quiser alugar um carro, no aeroporto Jorge Chávez há filiais da Hertz e da Budget, por exemplo. Você pode fazer a cotação e aluguel do seu veículo com a Rent Cars, parceira do nosso blog. A gente ganha uma pequena comissão e você não paga nada a mais por isso!

6) Bicicletas

Lima é uma cidade repleta de ciclovias. Em alguns bairros, como Miraflores e Barranco, você pode alugar uma bicicleta para dar uma volta, ou mesmo contratar um tour de bike. No Shopping Larcomar, procure pelos serviços da empresa Mirabici.

Nos domingos, a enorme Avenida Arequipa (e outras ruas pela cidade) são utilizadas como área de lazer. Aparecem várias outras empresas alugando bikes por lá. Tem gente andando de bike, caminhando, ou andando de skate, como esse amiguinho, que parecia se divertir muito dando voltas na avenida:

Valores de deslocamento em Lima (2017):

Do Aeroporto à Miraflores pagamos 60 soles de táxi (negociado com o motorista), mas você consegue valores menores, em média 50 soles no Green Táxi.

Usando o Uber, paga-se o preço tabelado de 50 soles de Miraflores para o Aeroporto (ou do Aeroporto para Miraflores).

Outra opção para sair do aeroporto é a empresa de ônibus executivo Airport Bus Service. O serviço oferecido é a linha Aeroporto – Miraflores.

Só um trecho custa 8 dólares, e 15 dólares ida e volta. No site também tem a descrição dos horários de funcionamento e onde descer para continuar de táxi para outros bairros de Lima.

De Uber, gastamos 16 soles para ir de Miraflores para o Museu Larco, que fica no bairro Pueblo Libre. Do museu até o bairro Barranco, 20 soles. De Miraflores para o Centro Histórico de Lima, o preço médio foi de 14 soles.

Klécia
Pernambucana radicada no Rio de Janeiro, mas que escolheu chamar o mundo inteiro de lar. Apaixonada pelas estradas e pelos destinos, acredita no poder dos encontros e descobertas de quem está sempre a caminho. O maior sonho? Colocar a mochila nas costas e dar a volta ao mundo ♥
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Comentários:
Analuiza disse:

Rindo muuuuito com a viagem do aeroporto até o hostel!!! Quase estive no carro junto com vocês. Pensando rapidamente acho nunca peguei nada parecido em termos de trânsito!!!! Ainda bem né?! quando for a Lima já estarei preparada!!!! Bjuuuuuussss

Klécia disse:

hahaha ainda bem mesmo, Ana! Foi uma baita aventura!