O que fazer em Gravatá, PE: a Suíça brasileira

O que fazer em Gravatá PE | Parece inacreditável que, depois de tantos anos escrevendo esse blog de viagens e falando de tantos destinos, só agora eu parei para falar da minha cidade natal.

Confesso que dar dicas sobre o que fazer em Gravatá é bem mais difícil para mim, que falar sobre outras cidades onde sou apenas visitante, moradora de poucos dias.

Essa pequena e charmosa cidade da serra pernambucana, pra mim, sempre será mais que um destino turístico.

Desde que eu era uma garotinha, Gravatá já se destacava como destino de veraneio para quem queria fugir da capital e curtir um clima de fazenda e temperaturas mais amenas.

O que fazer em Gravatá PE
Foto: Priscilla Azevedo via Flickr (CC BY 2.0)

Por isso, esse texto tardou, mas não vai falhar. Reuni as melhores dicas da cidade (minhas e cuidadosamente recolhidas com amigos que ainda moram lá).

No fim, montei um guia completo da cidade. Vamos falar sobre o que fazer em Gravatá, com as principais atrações turísticas, dicas de onde comer e até onde se hospedar.

E embora as dicas sejam ótimas para quem planeja só uma escapada de final de semana, também podem ser usadas para quem viaja para a serra para curtir as tradicionais festas de São João ou Semana Santa no friozinho da Suíça brasileira.

Gravatá: frio de serra, turismo rural, festas de rua e algumas memórias

Se você quer apenas as dicas turísticas da cidade, passe para o próximo tópico, onde começo a dar as dicas do que visitar em Gravatá, onde comer e tudo mais.

Vou usar esse primeiro tópico de forma meio nostálgica, o que pode não interessar a todo mundo. Prossiga por sua conta e risco, hehehe.

Depois que vim morar no Sudeste, todos sempre se espantam comigo reclamando do calor. “Ah, mas você não é do Nordeste?”. Ué, sim, mas sou de uma cidade de Serra!

E preciso dizer que, o que primeiro transformou Gravatá em um destino turístico foi exatamente ele: o clima.

Na escola, me ensinaram que Gravatá tinha o quinto melhor micro-clima do mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde.

Embora eu nunca tenha achado comprovações ou documentos onde essa afirmação esteja realmente escrita, a história se espalhou igual lenda urbana, você encontra isso escrito em muitas outras matérias por aí (sempre sem referência à fonte original, rs).

O fato é que as temperaturas baixam bastante no inverno, facilmente chegando perto dos 15-18 graus. Nos meses de junho e julho, ja peguei temperaturas próximas dos 10 graus nos anos mais frios.

A temperatura média anual fica em torno de 22 oC – o que rendeu à cidade o apelido carinhoso (e um pouco generoso) de Suíça brasileira.

Mas você deve estar se perguntando como pode esse clima, no agreste pernambucano… Deixa eu explicar.

O estado de Pernambuco se divide em 4 regiões, vindo do mar para o interior: o litoral, a Zona da Mata, o Agreste e o Sertão.

Gravatá fica no agreste – pra ser mais precisa, é a primeira cidade do agreste pernambucano, a 86 km de Recife, vindo pela BR232.

Entre a Zona da Mata e o Agreste, tem uma serra, que dá início a uma região mais elevada, o Planalto da Borborema. No alto desse planalto, Gravatá (e outras cidades como Bonito, Triunfo e Garanhuns) foram agraciadas com um clima privilegiado, o famoso frio de serra.

Nas aulas de geografia, aprendi que, pela posição geográfica privilegiada de Gravatá, na borda do Planalto da Borborema, o território da cidade se divide em dois biomas: o agreste, a parte mais seca, e o “brejo de altitude”, onde a altitude “barra” os ventos vindos do oceano e faz com que a chuva e a umidade sejam mais frequentes.

Com isso, parte da zona rural de Gravatá tem o clima mais árido, de caatinga, e a outra parte é mais úmida, de brejo, com muitos vestígios de Mata Atlântica preservada.

O fato é que essas condições climáticas únicas começaram a atrair turistas.

Lá pelos anos 1980, eu era só uma garotinha e Gravatá já recebia muita gente de Recife, que vinha passar o final de semana nas casas de veraneio, nos famosos privês (condomínios) espalhados pela zona rural da cidade.

Quando eu era adolescente, esse movimento turístico subiu ainda mais, com o início das festas na cidade.

Começou com a Semana Santa na antiga casa de shows Vila da Serra. Era uma época em que ninguém na região fazia festa (cidades do interior, tradição religiosa, vocês sabem como é).

Quem não era muito de igreja (e até quem era), aproveitava para curtir os shows (a maioria sertanejos), a contragosto de toda a população mais tradicional. O fato é que a Semana Santa em Gravatá virou hit.

Com essa janela aberta, a prefeitura viu uma oportunidade. E investiu pesado em outra festa, agora gratuita a na rua: o São João. Como Gravatá fica muito perto de Caruaru, um grande pólo de festas juninas, Gravatá quis surfar nessa onda – e conseguiu, por muitos anos.

A cidade recebeu artistas bem famosos, na maioria das vezes com lotação completa de público. A população da cidade mais que dobrava, passando dos 80 mil habitantes para mais de 160 mil. E com o frio que vem no meio do ano, todo mundo na rua desfilando os looks de inverno, com bota e casacão.

Depois ainda vieram outras festas, como o Festival de Jazz, o Natal Luz, o Virtuosi. A cidade aumentou a capacidade na rede hoteleira e surgiram restaurantes novos, além da quantidade de privês e loteamentos, que também só crescia.

Esse tempo de prosperidade rendeu alguns anos. Depois, talvez por erros de administração, ou mesmo a crise econômica, as coisas mudaram um pouco. As festas não são mais legendárias, o fluxo de turistas diminuiu um pouco.

Mas até hoje, a cidade recebe muita gente, especialmente em finais de semana e feriados prolongados. São pessoas que vem para os privês, aproveitar suas casas de veraneio e o clima de serra na fazenda.

Dependendo de qual artista venha para a festa de rua, o movimento aumenta ainda mais.

Gravatá tem vocação para o turismo, embora o centro da cidade não tenha mudado muito, e as ruas do centro fiquem sempre confusas quando a cidade está mais cheia.

Eu particularmente prefiro a cidade mais vazia, quando posso apreciar o clima e fazer passeios em contato com a natureza, sem me estressar com trânsito e mercados lotados demais.

Mas se você curte uma balada e azaração, tente conhecer Gravatá numa das famosas festas – a cidade é outra. Não esqueça de levar o casaco e a bota.



O turismo em Gravatá é principalmente o turismo rural e o turismo de natureza, com trilhas, cachoeiras, fazendas e haras. Recentemente, começaram a despontar algumas opções de turismo de aventura.

E tem também o roteiro mais histórico, cultural e gastronômico, passeando pelos casarões centenários multi-coloridos, praças, pólo moleveiro e restaurantes de comida tradicional nordestina, além das casas de fondue pra combinar com o friozinho.

Pois vamos lá, uma lista com principais atrações turísticas de Gravatá PE saindo no capricho.

Marquei os atrativos e restaurantes no mapa de Gravatá que coloco aqui embaixo. As atrações estão divididas em dois grupos: O que fazer em Gravatá na cidade e no campo.

O que fazer em Gravatá na cidade

Passear pelo centro histórico

O centro de Gravatá não é muito grande, e pode ser percorrido a pé em pouco tempo. O centro histórico ainda é o centro comercial da cidade até hoje.

Lá você encontra a Igreja Matriz de Santana, a principal igreja da cidade, inaugurada em 1940, e a Praça da Matriz.

Igreja da Matriz de Gravatá PE
Foto: Fui ser viajante

Ao redor da praça, restaram alguns casarões antigos, mas quase tudo já foi remodelado e absorvido pelo comércio. Lojas e mercados, sempre movimentados, especialmente ao final de semana.

Para quem olha a igreja de frente, na rua de trás à esquerda, você vai encontrar o antigo Mercado Municipal de Gravatá, que foi transformado em centro gastronômico.

Muitas barracas onde o pessoal comparece para tomar uma cerveja e ouvir música ao vivo (rola mais aos finais de semana).

Mercado Municipal de Gravatá PE
Foto: Fui ser viajante

Já para a direita, descendo a rua você encontra a Praça Padre Joaquim Cavalcanti, conhecida por todos como Praça 10.

Todo o caminho até a praça é de lojas de comércio, e ao redor da própria praça, você encontra mais lojas e restaurantes. Ou seja – se você procura onde fazer compras em Gravatá, eu indicaria essa região.

Seguindo pela rua Cleto Campelo, você vai ver melhor o conjunto de casarões antigos remanescentes em Gravatá.

Na antiga cadeia, funciona o Memorial de Gravatá, um pequeno museu com objetos de antigos moradores e uma biblioteca municipal.

Seguindo em frente, você pode ver o casarão do Salão 3 S (sede social da Igreja Católica), a casa paroquial, a Câmara de Vereadores e a Prefeitura (Paço Municipal), todos em prédios históricos e preservados.

Esses casarões ficam em frente à Praça Rodolfo de Moraes, que é sempre decorada na época de Natal – e no resto do ano é point da galera jovem, que sai dos colégios ou passa por ali para curtir a noite e comer nas barracas de rua.

Praça Rodolfo de Moraes, centro de Gravatá
Foto: Fernando Verçosa via Flickr (CC BY-NC-ND 2.0)

Cruzando o pontilhão sob a antiga linha férrea, você pode conhecer o conjunto de prédios históricos da Avenida Joaquim Didier, os mais bonitos e bem preservados no centro da cidade.

Começando pelo colégio das irmãs salesianas, em amarelo, em frente ao pontilhão, e incluindo mais alguns prédios históricos até a esquina.

Casarões históricos de Gravatá PE
Foto: Fui ser viajante

Para terminar o tour pelo centro, atravesse o Pátio de Eventos Chucre Mussa Zarzar (o lugar onde é montado o palco nas festas de rua em Gravatá).

Você vai chegar à antiga estação de trem da cidade, hoje transformada na Estação do Artesão, onde diversos artistas locais expõem e vendem suas obras. É um bom lugar para comprar lembrancinhas.

Estação do Artesão em Gravatá PE
Foto: Fui ser viajante

Se quer algumas dicas de artesanato local, a tradicional bonequinha da sorte já foi escolhida como patrimônio cultural. Também há bastante variedade de brinquedos educativos em madeira, telas e esculturas.

Visitar o Cristo Redentor no Cruzeiro

Sabia que Gravatá tem um pequeno Cristo Redentor? Ele fica na parte mais alta da cidade, chamada Alto do Cruzeiro. Se você está de carro ali pelo centro, pode facilmente chegar lá.

Cristo no alto do Cruzeiro, Gravatá PE
Foto: Fui ser viajante

Outra forma de chegar lá em cima é a pé – costume muito popular na cidade em tempos de penitência, como as procissões de semana santa, ou nos cortejos fúnebres, já que o cemitério da cidade também fica lá em cima.

Você pode ir pelas ruas ou fazer parte do caminho pela enorme “Escadaria da Felicidade”, que tem 365 degraus, um para cada dia do ano.

No Cruzeiro, além do pequeno Cristo de 12 metros de altura, do cemitério e de uma bela vista da cidade, você tem ainda alguns restaurantes simples, a sede da rádio local, e a pequena igrejinha de Cristo Rei, que eu nunca encontrei aberta (ela funciona mais em eventos religiosos no local).

É verdade que não há muito mais o que fazer por lá, além de apreciar a vista e talvez arriscar uma cerveja nos restaurantes. De toda forma, visitar o Cruzeiro é como um “rito de passagem” para todo mundo que vai a Gravatá. Pelo menos uma vez, você tem que ir.

Ah, e para quem procura um lugar para ver o por do sol em Gravatá, o Alto do Cruzeiro é uma boa opção.

Vista do alto do Cruzeiro, Gravatá PE
Foto: Fui Ser Viajante

Compras no pólo moveleiro

Durante muitos anos, Gravatá desenvolveu fama com a produção de artesanato e móveis coloniais e rústicos em madeira angelim, jatobá e cipó.

Muitas das lojas que comercializavam essas mercadorias ficavam na rua Duarte Coelho, que acabou virando referência.

Rua Duarte Coelho, Pólo Moveleiro de Gravatá
Foto: Fernando Verçosa via Flickr (CC BY-NC-ND 2.0)

Quando a fama turística da cidade aumentou, o lugar passou a ser chamado de Pólo Moveleiro.

Algumas das lojas mais antigas fecharam, mas ainda há muito comércio por lá. E também alguns restaurantes e bares, o que garante que o movimento se estenda de dia e de noite.

Turismo gastronômico (onde comer em Gravatá)

Sou dessas que não abre mão de provar as comidas típicas do lugar que visito, bem como descobrir os melhores restaurantes locais. Por isso, aqui vão algumas dicas de onde comer em Gravatá:

Especialmente para quem viaja nos meses mais frios do ano, você precisa visitar um dos restaurantes de fondue e massas da cidade. Há várias opções, mas o La Fondue Unique, o Ristorante Antonieta e o Taverna Suíça estão entre os mais famosos.

Gravatá também tem tradição nos pratos regionais, especialmente a buchada de bode, a galinha de cabidela e a carne de charque. São bem procurados a Charque da Dona Neuza, o Bar do Japonês e a Buchadinha do Gordo.

E para os dias frios, um café ou chocolate quente também caem muito bem. A Cafeteria Gravatá e a Doce Brownie, no centro, e o Café João e Maria, no Pólo Moveleiro, são boas opções.

Para quem procura bares e restaurantes como dica para o que fazer em Gravatá à noite, no centro tem o tradicional O Gordo e o Magro, e no Pólo Moveleiro temos a Cabana Petiscaria, o Seu Porquin, o Boulevard 232 e o Espetinho do Mozinho.

Mais afastado e bem simples, mas faz muito sucesso entre os locais: o Pirata bar e Restaurante.

Para quem é fã de queijos, indico a loja Campo da Serra, na BR 232 km71, logo na entrada da cidade, perto do posto da polícia rodoviária (sentido Gravatá). Eles são especializados em queijos finos, e o preço é muito bom.

Você pode comprar e levar pra casa, ou aproveitar o espaço de degustação para se maravilhar ali mesmo, com queijos maturados e frescos. A loja funciona de terça a sábado, das 8 às 18 hs. Aos domingos, das 8 às 16 hs.

E tenho 2 indicações de lanche bem locais e que acho que vale a pena demais:

A primeira é o famoso Rei das Coxinhas, com uma unidade na cidade e outras duas na Serra das Russas (uma sentido Recife e outra sentido Gravatá).

O Rei das Coxinhas ficou muito tradicional na cidade, e como restaurante de apoio na estrada, atendendo quem viaja pela BR 232. Há diversos sabores de coxinhas e uma das minhas memórias de infância era quando a gente comia as coxinhas de charque de lá.

Outra proposta, bem informal, mas que bomba entre os locais, são as barracas de lanche na Avenida Joaquim Didier, ao lado do pontilhão.

Como opção do que fazer em Gravatá à noite, é aqui que a galera jovem (e que quer economizar) comparece em peso. A mais famosa é a de Marcos do Espetinho.

O que fazer em Gravatá: no campo

Hotéis fazenda (day use ou hospedagem)

Com o aumento do fluxo de turistas, a rede hoteleira investiu em montar hotéis que combinam o melhor da região: conforto com a proximidade da natureza.

Gravatá tem vários hotéis fazenda, com diversas atividades disponíveis, como piscinas, cavalgadas, fazendinha e mais.

Existem algumas opções: Day use, aluguel de flats ou chalés, ou acomodações em regime de pensão completa.

Veja algumas opções:

Hotel Fazenda Portal de Gravatá, que já apareceu em várias listas de melhores hotéis fazenda do Brasil e oferece uma grande quantidade de atividades para família com crianças.

Hotel Fazenda Villa Hípica Resort, um dos empreendimentos mais recentes (e modernos).

Há várias atividades para crianças e para casais, que podem aproveitar os vários restaurantes (Restaurante Contemporâneo, Restaurante Regional, bares e o Boteco da Villa). Há um centro hípico dentro da propriedade.

Alguns proprietários também colocam seus flats no Villa Hípica para aluguel por temporada (veja algumas opções aqui, aqui e aqui).

Hotel Fazenda Monte Castelo, uma outra boa opção de hotel fazenda, repleto de atividades como quadra de tênis, mini-fazendinha e até uma casa noturna. A piscina é panorâmica e as varandas dos quartos oferecem vista para as montanhas.

Hotel Casa Grande Gravatá, é um dos hotéis fazenda mais antigos em atividade em Gravatá. Oferece opções de apartamentos e sete chalés, além de um parque aquático com 7 piscinas.

Hotel Canariu’s, por sua vez é um dos empreendimentos mais recentes. Tem piscina ao ar livre, academia e spa com sauna.

Hotel Fazenda Céu Aberto, que é ao mesmo tempo uma fazenda de criação de cavalos e hotel fazenda. Entre as atividades, há um mini-zoológico, passeios de carruagem e uma piscina o jardim.

Ponte Cascavel e mirante N. S. das Graças

Quem vem de Recife a Gravatá já encontra a primeira atração no caminho, após a subida da Serra das Russas.

Depois do túnel Plínio Pacheco (que foi o primeiro túnel rodoviário do estado), você vai cruzar a Ponte Cascavel, um viaduto com 50 metros de altura e cerca de 450 metros de extensão.

A vista para os arredores é bem bonita. No fim da ponte, um grupo católico construiu um pequeno oratório dedicado a Nossa Senhora das Graças.

Não é permitido parar o carro na ponte, mas você pode estacionar no oratório e dali apreciar a vista do mirante, com a paisagem incrível da Serra das Russas.

Trilha da Estrada de Ferro e rapel na Ponte Cascavel

Quem diria que a pequena Gravatá ia se transformar num destino de turismo de aventura?

Com certeza eu nem imaginava isso quando era pequena e via ainda alguns poucos trens passando pela linha de ferro, hoje completamente desativada.

Pois hoje é possível fazer uma trilha pela antiga linha férrea, que vai te levar até um dos pontos altos da serra das Russas: a antiga ponte Cascavel, o viaduto da linha férrea por onde o trem cruzava a serra.

Algumas agências de turismo (como a Vértice Aventura e a Vem de Andada) organizam saídas de Recife para fazer a trilha em Gravatá. Em geral, os passeios já incluem transporte, guia credenciado e rapel.

Dependendo da empresa, o tamanho da trilha pelos trilhos é maior ou menor. Você vai passar por alguns dos antigos túneis (a ferrovia tem 14 no total, sendo 2 na cidade de Pombos), para terminar a caminhada na Ponte Cascavel.

O rapel negativo na Ponte Cascavel é a cereja do bolo, no final do percurso. A descida em vão livre tem aproximadamente 50 metros.

Cachoeira das Palmeiras e Cachoeira do Tio

Gravatá tem duas cachoeiras que podem ser visitadas por turistas. Elas ficam razoavelmente próximas uma da outra, e podem ser visitadas no mesmo dia.

Para encontrar a localização precisa, basta colocar o nome da cachoeira no GPS / Google Maps, que a localização está marcada direitinho. Vale avisar que parte da estrada é de terra e tem algumas subidas.

As duas cachoeiras ficam em sítios privados, e para ter acesso, é preciso uma taxa de preservação.

A Cachoeira das Palmeiras é formada por 3 quedas d’água do riacho Uruçu-Mirim. É a cachoeira mais famosa da cidade. Ela fica no sítio Palmeiras, a mais ou menos 20 km do centro da cidade.

A queda d’água tem 23 metros de altura, e forma algumas piscinas naturais que são ótimas para o banho. O pessoal do sítio estruturou algumas bicas e banheiros.

Já a Cachoeira do Tio fica numa propriedade vizinha. Ela também é conhecida como Cachoeira do Escondido, por ser de mais difícil acesso, e exigir um certo preparo físico para encarar o final da trilha.

A queda d’água conta com 27 metros de altura, dividida em dois estágios. É muito procurada por grupos de eco-turismo para a prática de cascading, a decida vertical pela cachoeira, com ajuda de cordas e equipamentos de montanhismo.

Reservas ecológicas

A cidade de Gravatá possui 4 regiões classificadas como RPPN (Reserva Privada de Patrimônio Natural).

Duas ficam na região do agreste da cidade, com clima semi-árido predominante (Parque Ecológico Karawa tã e Reserva de Santo Antônio), e duas na região de brejo de altitude, onde encontramos vestígios de Mata Atlântica (RPPN Serra do Contente e RPPN de São Benedito).

Embora todas elas sejam abertas a visitação pública, vou falar nesse post das duas mais importantes e visitadas: A RPPN Serra do Contente e o Parque Ecológico Karawa tã.

RPPN Serra do Contente

Reserva Ecológica Serra do Contente é uma RPPN (Reserva Privada de Patrimônio Natural), com cerca de 900 hectares, que fica a 7km do centro da cidade.

Uma curiosidade interessante é que a reserva é naturalmente cercada por uma muralha de pedras nativa, de 2 km de extensão.

A Serra do Contente fica no ponto mais alto da cidade, bem na transição entre o bioma agreste e brejo de altitude, por isso tem vegetação de caatinga e vestígios de mata atlântica.

Lá o turista pode fazer trilhas guiadas, acampar, praticar escaladas, tomar banho nas bicas de água mineral, apreciar a fauna única da região e observar a curiosa flora que combina espécies de região seca e úmida.

Para fazer a visitação guiada com banho de bica, é preciso pagar uma taxa. Para agendar, fale com um dos proprietários / guias locais, Eronildes Alves e Ana Paula (telefones / WhatsApp 081-99901-8092 ou 081-98610-2236).

Parque de Aventura Karawa tã

O Parque Karawa tã é mais uma opção de turismo de aventura na região de Gravatá. O nome vem do tupi-guarani, significa planta que fura, um tipo de cacto muito abundante na região e que deu nome a cidade – Gravatá vem de Karawa tã.

O parque Karawá tã fica dentro de uma RPPN (Reserva particular do Patrimônio Natural) do agreste, sendo o maior parque de turismo de aventura e ecoturismo do norte e nordeste brasileiro, com uma área de 1.600.000m² dentro do bioma da caatinga.

O parque funciona por temporada, abrindo em geral na época da Semana Santa, quando aumenta o movimento de turistas na região. O espaço oferece atividades de lazer e entretenimento ao ar livre, bem como atividades de educação ambiental.

Entre as atividades, se destacam duas tirolesas para adultos, uma de 950m e outra de 300m, além de uma tirolesa kids, com 90m, além de arvorismo, arco e flecha, parede de escalada, pista de bike, trilhas e muitas outras.

A estrutura é completa, com restaurante, lanchonetes, ambulatório, banheiros, guarda-volumes, estacionamento e muito mais.

Para informações detalhadas sobre data de abertura, ingressos e atividades, confira o site do Parque Ecológico Karawa tã.

Pedra Branca

A formação rochosa conhecida como Pedra Branca fica dentro do Sítio Pedra Branca, a cerca de 5 km da cidade e na região de brejo.

São 75 metros de paredão rochoso. A encosta esbranquiçada justifica o nome do lugar. Lá de cima, se tem uma vista privilegiada do Planalto da Borborema.

A pedra é bem procurada por grupos de montanhistas e praticantes de rapel, mas também por quem quer acampar ou fazer trilhas na propriedade. Os visitantes devem pagar uma taxa de preservação.

Cavalgadas e trilhas equestres

Você sabia que Gravatá tem mais de 100 haras e centros hípicos? A cidade tem uma tradição com criação de cavalos de raça, especialmente Manga larga marchador e Quarto de Milha, entre outras raças.

Muitos dos cavalos nascidos e criados nas fazendas de Gravatá se tornam campeões de concursos, outros chegam a ser vendidos por cifras milionárias.

Eventos como vaquejadas, feiras, cavalgadas e Festa do Cavalo já fazem parte do calendário de turismo de lazer e negócios.

Muita gente de Recife tem baias alugadas e animais em Gravatá, e sempre quando vem à cidade, aproveita para dar um passeio com os animais.

Mas caso você seja apenas um turista entusiasta (ou curioso), é possível procurar um desses centros equestres e contratar um passeio de cavalo livre, ou mesmo se aventurar em uma das 7 trilhas equestres catalogadas na cidade.

Alguns hotéis e pousadas, como o Hotel Fazenda Portal de Gravatá e a Pousada Ecológica Sempre Verde, oferecem passeios de cavalgada entre suas atividades.

Ah, e além dos haras, Gravatá também tem fazendas de rebanho caprino Bôer, ovino das raças Santa Inês, Suffolk e Texel, bem como bovino das raças Jersey, Gir, Girolando e Guzolando.

Circuito off-road

Além das cavalgadas, os moradores de Gravatá também tem uma vocação para os veículos 4×4 e motocross, para aventuras no circuito off-road. A cidade já fez parte do calendário de competições como o Mitsubishi Motorsport 2018.

Alguns moradores, proprietários de veículos off-road se reúnem nos finais de semana para fazer trilhas. Já os turistas podem procurar opções de passeio com empresas de turismo.

Por exemplo, a agência Vem de Andada oferece um passeio em jipe Toyota, passando pelas duas cachoeiras (Das Palmeiras e do Tio) e pela RPPN Serra do Contente, com banho de bica e conhecimento do bioma local.

Plantio de flores

Quando eu era pequena, Gravatá era conhecida pela produção de morangos. Mas isso mudou com o tempo.

Por conta do clima e relevo, a cultura de flores deu muito certo em Gravatá e foi ganhando espaço. Hoje, a cidade já é considerada o maior produtor de flores tropicais do Norte e Nordeste, com mais de 300 produtores espalhados pela Zona Rural.

É possível visitar o sítio de alguns produtores e ver a produção de perto. Um dos lugares indicados é a Pousada Ecológica Sempre Verde, que além do cultivo de flores oferece outras atividades, como cavalgadas, trilhas, oficinas de artesanato (além da opção de pensão completa).

Planeje sua viagem

Quando ir a Gravatá?

O ano todo! O clima agradável atrai turistas todos os finais de semana do ano, por isso a cidade é um bom destino em qualquer época.

Claro que existem períodos mais concorridos: durante as festas de Semana Santa, o mês de junho com o São João, o Virtuosi (festival de música clássica), o Festival de Jazz (acontece no carnaval, como uma opção interessante para quem quer fugir da folia) e o Natal Luz.

Para quem quer viajar nesses períodos, o ideal é se planejar com antecedência para conseguir pousada ou uma casa de temporada.

Mas prepare-se para encontrar a cidade bem cheia – fica difícil sair de carro pelo centro e fazer compras no mercado é sempre um sufoco.

Quanto tempo ficar em Gravatá?

A maior parte das viagens a Gravatá são passeios de final de semana, quando os turistas de Recife, principalmente, vem aproveitar o clima de serra nos hotéis-fazenda ou casas de veraneio.

Para conhecer o centro, você precisa de meio período apenas. O resto do tempo, vai depender do tipo de turista que você é: relaxar no hotel, fazer turismo gastronômico, se jogar nas aventuras, como passeios a cavalo ou off-road, visitar uma das RPPN ou fazer trilhas até os banhos de cachoeira.

Por isso, o tempo em Gravatá depende muito do que você quer fazer: aventura? Uns 3-4 dias você conhece os atrativos naturais da cidade.

Quer relaxar? Você pode ficar o final de semana, ou uma semana inteira! Afinal, tempo balançando na rede e comendo ótimos pratos locais nunca é demais, certo?

Dicas de hotéis em Gravatá

As principais dicas de hospedagem em Gravatá serão sempre os hotéis fazenda, onde você pode combinar comodidade e infraestrutura com atividades de natureza.

Há muitas opções de hotéis fazenda em Gravatá, já citei algumas ao longo do texto. Por isso vou deixar os nomes aqui novamente pra facilitar, ok? Para ler mais e reservar, é só clicar nos links:

Hotel Fazenda Portal de Gravatá

Hotel Fazenda Villa Hípica Resort

Hotel Canarius

Monte Castelo

Hotel Fazenda Céu Aberto

Além dos hotéis fazenda, Gravatá tem ótimas opções de pousadas, tanto no centro da cidade quanto na zona rural.

Na cidade, indico a Casa Schneider, o Hotel Três Palmeiras, a Pousada Vale do Gravatá e a Pousada Vida Viva.

Um pouco mais afastados do centro, temos a Porto da Serra e o maravilhoso Oasis Boutique Hotel Spa.

Outra opção interessante, especialmente para quem viaja em família, é procurar as casas de temporadas.

Muitas vezes, os proprietários de flats em hotéis-fazenda ou casas na cidade e nos privês alugam suas propriedades para os turistas, quando não estão em Gravatá.

Veja algumas opções de aluguel por temporada em Gravatá.

Combine Gravatá com… Dicas de destinos próximos!

Além de Gravatá, há opções de turismo nas cidades vizinhas. A maravilhosa Serra Negra, em Bezerros, é outro destino muito procurado para ecoturismo. Bonito ficou famosa pelas cachoeiras.

Caruaru é um destino para compras e ficou famoso no Brasil todo pelo seu São João.

Há destinos que também exploram o turismo de serra. Você pode curtir o frio em Triunfo e Garanhuns.

Vai usar nossas dicas na sua viagem a Gravatá?

Eu fico muito feliz que minhas dicas vão te ajudar a conhecer minha cidade natal.

Se você gostou, compartilhe com os amigos. E se quer deixar alguma sugestão ou crítica, ou tirar qualquer dúvida, basta falar comigo aqui pelos comentários! Vou adorar bater um papo sobre Gravatá com você.

Ah, e se você é gravataense e sentiu falta de alguma atração na minha lista, pode também comentar nesse post! Conto com a ajuda de todos pra esse post ser o mais completo da internet sobre a minha cidade querida <3.

Lila Cassemiro
Pernambucana, contadora de histórias e bem curiosa. Geminiana apaixonada por artes e culturas, sempre com a mala pronta pra viajar de novo. Eu gosto de gente.
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Comentários:
Eliana Saraiva disse:

Sou aluna de Turismo e de Guia de turismo aqui em São Paulo, nem no site da Secretaria de Turismo de Gravatá encontrei valiosas informações para um trabalho. Um dia estarei ai paa conhecer, me aguçou a vontade conhecer Gravatá. Parabéns!!

Lila Cassemiro disse:

Oi Eliana! Que massa saber que nosso blog te agradou! Ficamos felizes demais!

Analice Oliveira disse:

Muito bom seu post. Deu pra ter uma referência da cidade a partir das suas informações

Lila Cassemiro disse:

Que bom que gostou, Analice! Espero que faça uma boa viagem 😀

Amamos seu texto que explica muito bem nossa querida região. Quando estiver por Gravata entra em contato para apresentarmos a Cachoeira Poço do Cano e nosso ponto de apoio para as maravilhas das cachoeiras de nossa cidade.

Rafael Cassemiro disse:

Opa, na próxima viagem falamos com vocês!

Domingos R disse:

Hj acordei com o nome dessa cidade em minha mente, quero conhecê-la

Klécia disse:

Que legal, Domingos. Espero que visite em breve!

ADA MARLY disse:

Restaurantes

Klécia disse:

Oi Ada, no post colocamos algumas dicas de restaurantes em Gravatá 🙂

Kyvia disse:

Vim a Gravatá-PE a dez anos atrás e me apaixonei! Sou Paraibana r amo minha terrinha…. nunca achei q um dia me mudaria para a cidade q há anos tinha me apaixonado! Mais por conta e obra só destino um gravataense foi trabalhar no meu estado e nos apaixonamos… hj somos casados e moro a cinco meses nesta linda cidade… Eu adotei gravatá como a minha cidade Natal rsrsrs.. amei seu poste! Ainda tem lugares q não conheço vai me ajudar bastante.

Lila Cassemiro disse:

Oi Kyvia! Feliz de saber de sua história! Gravatá é um lugar muito especial pra mim também!

José Roberto disse:

Boa tarde, sou natural de gravata, atualmente moro em Brasília distrito federal a 40 anos egravatas sempre me surpreende conheço muito do polo gastronômico e recomendo esse guia é shhow parabéns.

Rafael Cassemiro disse:

Olá José Roberto, Gravatá segue surpreendendo a todos nós. Toda visita é sempre uma delícia!
Obrigado pelo comentário

Jadilmo disse:

Tenho curiosidade em conhecer Gravata….. Sou de Curitiba (PR).

Rafael Cassemiro disse:

Oi Jadilmo, Você vai adorar! A cidade é linda!

Rafael Valeriano disse:

Aos que visitam Gravatá e gostariam de conhecer mais sobre a cachaça e sua produção, recomendo conhecer o Engenho Sanhaçu, que fica na cidade vizinha de Chã Grande. Passeio realmente rico e surpreendente

Rafael Cassemiro disse:

Oi Rafael, Obrigado pela dica! Vamos incluir uma visita com certeza em nossa próxima visita!

JoselmaMelo disse:

Amei o texto sobre minha cidade natal.Realmente é linda e atrai muitos turistas por causa do seu clima.

Joselma Soares da Silva Melo disse:

Amei!
Gravatá é uma cidade linda e muito querida por todos nós.